domingo, 5 de outubro de 2014

Qual é a cor do amor?


Estamos entrando na semana da criança, então lembrei de um livro que meu filho ganhou quando pequeno, eu o li diversas vezes para ele e algumas para alunos do Jardim.


Qual a cor do amor?

De: Linda Strachan e David Wojtowycz



- Qual é a cor do amor?- perguntou o elefantinho cinzento.
- Será que é verde?
- Não sei se isso é verdade, mas a grama é verde, então talvez o amor seja azul – disse o velho e carinhoso  avô.


- Qual a cor do amor? Perguntou o elefantinho cinzento.
- Será que é azul?


O tigre se  deitou e rolou de costas.
- Não sei a resposta, meu caro amiguinho, o céu é azul ... talvez o amor seja amarelo!


- Qual é a cor do amor? – perguntou o elefantinho cinzento. – Será que é amarelo?


O leãozinho abriu um olho, muito cansado para brincar.
Bocejou e falou: 
- Este sol quente é amarelo; o amor não será vermelho?


- Qual é a cor do amor?- perguntou o elefantinho cinzento. 
- Será que é vermelho?


A arara, pousada em cima de um galho, falou:
- O vermelho é das flores, o amor é brilhante... portanto, é bem simples: o amor é branco!
Adicionar legenda
- Qual é a cor do amor? – perguntou o elefantinho cinzento.
- Será que é branco?


- Não, o amor  não é branco – disse a zebra.
- Não, eu acho que... o amor é tão belo que só pode ser cor-de-rosa!


- Qual é a cor do amor?- perguntou o elefantinho cinzento. – Será que é rosa?


- Rosa? – gritou o flamingo.
- Não, não pode ser. O amor deve ser laranja como o pôr-do-sol à tardezinha.


Desanimado e cansado ao fim do dia, o elefantinho cinzento falou: 
- Já sei a quem perguntar.



Despediu-se do flamingo com suas pernas compridas e passou pela zebra na beira do rio.


O leãozinho se fora de sua pedra ao sol, e o tigre saiu correndo, atrás da caça.



O elefantinho foi até a beira da água e molhou a pata. Ele disse à sua mãe: 
- Será que alguém sabe?
Já tentei todas as cores, da grama às flores, do céu às nuvens, e até o sol lá em cima...
Mas ninguém soube me dizer a cor do amor.
- Qual é a cor do amor? Eu lhe digo, filhote...


É tão escuro como a noite
E tão brilhante como o sol.
Pense numa cor e ali está o amor;

O amor é toda cor, é tudo em todo lugar.
- Qual é a cor do amor?

São todas as cores à nossa volta, porque nada mais importa quando você encontra o Amor.






E qual a cor do amor para você?

sábado, 13 de setembro de 2014

O cara - livro infantojuvenil




" O cara" é um livro que ainda não utilizei com os alunos, mas como cai de amores por ele, resolvi postar, uma bela homenagem para quem gosta de ler, ouvir, escrever ou contar histórias. 

O cara

De Philippe Barbeau
Ilustração:Fabienne Cinquin
Tradução Marcos Bagno

Páginas arrancadas do diário de Philipe Barbeau


Segunda-feira.


De manhã, eu passeava.
Estava realmente muito bem, com a cabeça nas estrelas, os  pés na felicidade e alegria dentro do coração.
Eu estava realmente muito bem.




E aí, de repente, reparei num CARA a uns trinta metros de mim.
Ele logo me pareceu esquisito,e,olhando melhor, adivinhei o que tinha de errado: ELE NÃO SABIA SORRIR.
Nada me irrita mais do que um cara que não sabe sorrir, então apanhei uma pedra –ah! Nada maior do que uma noz – e atirei nele.



Acertou em cheio no seu queixo. Eu me aproximei.
-Está doendo!- me disse o cara, fazendo careta.
- Ora! Bastava você sorrir – chamei a atenção dele.
- Sorrir? Não sei o que é isso.
Ah! Ele me irritou ainda mais. Por um triz não lhe dei um tapa, mas aí eu disse a mim mesmo que não queria criar caso.
Então, enfiei as mãos no fundo dos meus bolsos e voltei para casa.

Quarta-feira.



Ao meio-dia eu passeava.
Estava muito bem, com a cabeça nas estrelas e os pés na felicidade.
Sim, eu estava muito bem.
De repente reparei num cara a uns vinte metros de mim.
O mesmo de segunda-feira. Ainda mais esquisito.
Não precisei olhar muito tempo para ele. Logo adivinhei o que tinha de errado esse dia: ele não sabia sonhar.
Nada me irrita mais do que um cara que não sabe sonhar, então apanhei uma pedra – ah! Nada maior do que uma laranja – e atirei nele.
Acertou em cheio no seu nariz. Me aproximei.
-Está doendo!- me disse o cara, choramingando.
- Ora! Bastava você sonhar – chamei a atenção dele.
- Sonhar? Não sei o que é isso.
Incrível!
Por um triz não lhe dei um soco na cara, mas disse a mim mesmo que não queria criar caso.
Então, enfiei as mãos no fundo dos meus bolsos e voltei para casa.

Sexta-feira.



À tarde eu passeava. Estava bem, com a cabeça nas estrelas. Estava bem. Enfim... Nada mais.

De repete, reparei num cara a uns dez metros de mim. O mesmo de segunda e quarta-feira.
Mais esquisito que nunca.
Mal olhei para ele e logo adivinhei o que tinha de errado esse dia: ele não sabia amar.

Nada me irrita mais do que um cara que não sabe amar, então apanhei uma pedra grande – ah! Nada maior do que um melão – e atirei nele.



Acertou em cheio a sua testa.  Eu me aproximei.
- Está doendo! – me disse o cara, chorando como uma fonte.
- Ora! Bastava você amar – chamei a atenção dele.
- Amar? Não sei o que é isso.
Ah! Por um triz não o estrangulei, mas disse a mim mesmo que não queria criar caso.
Então, enfiei as mãos no fundo dos meus bolsos e disparei para casa.


Domingo.


À tarde, eu passeava. Estava mal. Nuvens embaçaram meu ânimo. Estava realmente mal.
De repente, fiquei frente a frente com o cara, o mesmo de sempre. Imediatamente  adivinhei  o que tinha de errado: ele não sabia nem sorrir, nem sonhar, nem amar.
Tudo ao mesmo tempo!
Aquilo foi mais forte do que eu:
Apanhei um pedregulho
- ah! Nada maior do que um paralelepípedo - e atirei nele.
O cara sem dúvida estava cansado de ser atingido na cabeça, então ele se abaixou.
Por trás passava uma mulher. Zuh! O chapéu da mulher.





Eu me aproximei enquanto ela o apanhava.
Ela se virou para mim e sussurrou:

- Não é nem um pouco inteligente  atirar pedras na cabeça das pessoas.
Era a primeira vez que me diziam isso. Perguntei a ela, espantado:

- Ei! Você, que é tão inteligente, sabe sorrir?
- Sei!
E o rosto dela se iluminou com um formidável sorriso..
Eu nunca tinha visto um sorriso tão bonito.
Perguntei a ela, surpreso:

-Você, que é tão inteligente, sabe sonhar?
- Sei!


E ela me levou no seu olhar, onde fiz uma formidável viagem.
Eu nunca tinha feito uma viagem tão bonita.
Perguntei então a ela, atordoado:
- Você, que é tão inteligente, sabe amar?

E ela me abriu seu coração, onde descobri um formidável amor.
Eu nunca tinha admirado um amor tão bonito.
Não sabia mais onde estava. Era a primeira vez que sentia aquilo.
Então, perguntei à mulher:
- Você... você, que é tão inteligente, onde aprendeu tudo isso?
- Venha... me acompanhe.
Ela se sentou num canto.
Eu me acomodei ao lado dela e, com a voz mas fresca do que a água de uma fonte, ela me contou histórias.

A partir de amanhã, não vou mais atirar pedras na cabeça das pessoas, vou contar histórias para elas,
É bem mais inteligente para ajuda-las a sorrir, a sonhar e a amar.




O autor: Philippe Barbeau nasceu em Blois, França, em 1952. Ele passa grande parte do tempo imaginando histórias.



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Curupira/ Iara - lendas (II)



Do Livro: 13 Lendas brasileiras - texto e ilustrações de Mario Bag



Curupira

 

Que apito estridente é esse?
Aqui não é o caminho de trem!
Será o guardião da floresta
No seu louco vaivém?

Quem maltrata a natureza
Desperta toda a ira
De uma criatura selvagem
Chamada Curupira!

Cabelo vermelho ao vento
Olhos ameaçadores
Dentes verdes pontiagudos
Pra assustar os caçadores!

Esse indiozinho esperto
Com os pés virados pra trás
Amedronta porque acha certo
Proteger os animais!

Correndo por toda a mata
Atrás de quem mata e destrói
Montando num porco-do-mato
É um verdadeiro herói!

Confunde seus perseguidores
Com a pegada invertida
Que acabam perdendo o rastro
E ficam loucos da vida!

Seu assobio agudo
Ecoa por toda a floresta
E a Mãe Natureza agradece
Em meio a uma grande festa!









Iara
Mãe-D’Água


Mergulho no rio à noite
Se não é o Boto é a Sereia
Levando pro fundo das águas
Algum pescador da aldeia.

Uma tarde Saturnino
Levando peixes pra feira
Ouviu um cantar lá no rio
E se jogou da ribanceira...

Sem saber por que razão
Foi nadando até o fundo
Lá encontrou uma princesa
Que não era deste mundo...

Cabelos negros com flores
Tapando as partes íntimas
Uma estrela brilha na testa
Atraindo suas vítimas!

Essa mulher, meio peixe
O fascinou profundamente
Os olhos cor de esmeralda
Enfeitiçaram sua mente!

Depois reapareceu louco
Dava pra ver pela cara
Contando histórias sem nexo
Vimos logo que foi Iara...

Se escutar um canto à tarde
E ficar hipnotizado
Não pense duas vezes, fuja
Ou vai morrer afogado!



terça-feira, 5 de agosto de 2014

Folclore e 13 lendas brasileiras (I)

Os mitos e o folclore brasileiro, variam muito de acordo com a região e a fonte/pequisa.



Para apresentar aos alunos, neste mês do folclore, escolhi o livro: 
"13 Lendas Brasileiras com Texto e ilustrações de Mario Bag".



Neste livro, Isabel Lustosa, tece o seguinte comentário:

"... as lendas brasileiras foram, na sua maioria, criadas pelos índios e pelos negros africanos. Muitas no entanto, chegaram aqui com os portugueses e diziam respeito a outros povos da Europa (...)"
....
"Sempre relembradas, com inúmeras versões que variam de acordo com a região do País, passando de pai para filho, essas histórias e esses mitos fazem parte de nossa cultura e, se não mais assustam as crianças de hoje em dia, certamente enchem de magia e colorido a imaginação delas."


Reproduziremos algumas das lendas apresentadas, nesta 1ª postagem escolhemos a Lenda do "Boto". 
O Boto-cor-de-rosa está correndo risco de extinção, pois vem sendo usado como isca de carne para pesca.

Para saber mais acesse:




Boto

Escuta o mergulho no rio
Ninguém se banha a esta hora
É o Boto que está fugindo
Namorou e está dando o fora!

Se uma jovem bonita engravida
E o pai ninguém conhece
Deve ser coisa do Boto
Que na água desaparece.

Uma vez a moça Lindalva
Numa festa de São João
Apaixonou-se por um forasteiro
Sem ouvir a voz da razão.

Mesmo com tanto calor
Ele não tirava o chapéu
Mas a moça nem notava
Estava no sétimo céu.

Dizem que o Boto esconde
O buraco por onde respira
Que fica em cima da testa
Por isso o chapéu não tira.

Lindalva sumiu por semanas
Mas enfim apareceu
Molhada dos pés à cabeça
Sem dizer o que aconteceu...

Espere nove meses
Pra que o caso se esclareça
Vai nascer o filho do Boto
Com furinho na cabeça!





Ah, e não deixe de assistir a encantadora animação "O Boto" da série "Juro que vi":
Dizem que tudo aconteceu nas margens do Rio Amazonas ...



E, para saber mais sobre este maravilhoso animal:

domingo, 20 de julho de 2014

O pote vazio e Flop



Aviso aos navegantes: as histórias escolhidas e que são contadas aos alunos (postadas neste blog) não têm como preocupação central a apresentação de uma moral/lição ou com um objetivo de ensinar algo.
Ao contar/ler uma história meu compromisso sempre vai ao encontro de formar novos leitores, levando-os a apreciar o universo maravilhoso da arte na literatura, as narrativas populares e os livros.

Os dois livros, que serão apresentados nesta postagem, são primorosos e belos pela simplicidade.
O primeiro deles é uma fábula chinesa que enfatiza o valor da honestidade e da verdade. Em tempos, que isto não anda muito em alta no mundo, nada melhor que uma história para resgatar o valor da ética.



O Pote Vazio 

Autor: Demi

Há muito tempo, na China, vivia um menino chamado Ping, que adorava flores. 



Tudo o que ele plantava florescia maravilhosamente. Flores, arbustos e até imensas árvores frutíferas desabrochavam como por encanto.


Todos os habitantes do reino também adoravam flores. 


Eles plantavam flores por toda a parte e o ar do país inteiro era perfumado.


O imperador gostava muito de pássaros e outros animais, mas o que ele mais apreciava eram as flores. Todos os dias ele cuidava de seu próprio jardim.

Acontece que o imperador estava muito velho e precisava escolher um sucessor. 


Quem podia herdar seu trono? Como fazer essa escolha?
Já que gostava muito de flores, o imperador resolveu deixar as flores escolherem.



No dia seguinte, ele mandou anunciar que todas as crianças do reino deveriam comparecer ao palácio. Cada uma delas receberia do imperador uma semente especial.

– Quem provar que fez o melhor possível dentro de um ano – ele declarou – será meu sucessor.

A notícia provocou muita agitação. Crianças do país inteiro dirigiram-se ao palácio para pegar suas sementes de flores. 

Cada um dos pais queria que seu filho fosse escolhido para ser o imperador, e cada uma das crianças tinha a mesma esperança.


Ping recebeu sua semente do imperador e ficou felicíssimo. Tinha certeza de que seria capaz de cultivar a flor mais bonita de todas. 


Ping encheu o vaso com terra de boa qualidade e plantou a semente com muito cuidado. 


Todos os dias ele regava o vaso. Mal podia esperar o broto surgir, crescer e depois dar uma linda flor!

Os dias se passaram, mas nada crescia no vaso. 


Ping começou a ficar preocupado. Pôs terra nova e melhor num vaso maior. 


Depois transplantou a semente para aquela terra escuta e fértil.

Esperou mais dois meses e nada aconteceu.


Assim se passou o ano inteiro.


Chegou a primavera e todas as crianças vestiram suas melhores roupas para irem cumprimentar o imperador. 


Então correram ao palácio com suas lindas flores, ansiosas por serem escolhidas. 


Ping estava com vergonha de seu vaso sem flor. Achou que as outras crianças zombariam dele por que pela primeira vez na vida não tinha conseguido cultivar uma flor. 


Seu amigo apareceu correndo, trazendo uma planta enorme:

- Ping, disse ele, você vai mesmo se apresentar ao imperador levando um vaso sem flor? Por que não cultivou uma flor bem grande como a minha?

- Eu já cultivei muitas flores melhores do que a sua, disse Ping.

- Foi essa semente que não deu nada.


O pai de Ping ouviu a conversa e disse:

- Você fez o melhor que pôde, e o possível deve ser apresentado ao imperador.


Ping dirigiu-se ao palácio levando o vaso sem flor.



O imperador estava examinando as flores vagarosamente, uma por uma. 


Como eram bonitas! Mas o imperador estava muito sério e não dizia uma palavra.

Finalmente chegou a vez de Ping. O menino estava envergonhado, esperando um castigo. O imperador perguntou:

- Por que você trouxe um vaso sem flor?


Ping começou a chorar e respondeu:

- Eu plantei a semente que o senhor me deu e a reguei todos os dias, mas ela não brotou. Eu a coloquei num vaso maior com terra melhor, e mesmo assim ela não brotou. Eu cuidei dela o ano todo, mas não deu nada. Por isso hoje eu trouxe um pote vazio. Foi o melhor que eu pude fazer.


Quando o imperador ouviu essas palavras, um sorriso foi se abrindo em seu rosto e ele abraçou Ping. Então ele declarou para todos ouvirem:

- Encontrei! Encontrei alguém que merece ser imperador!

- Não sei onde vocês conseguiram essas sementes, pois as que eu lhes dei estavam todas queimadas. Nenhuma delas poderia ter brotado. 


Admiro a coragem de Ping, que apareceu diante de mim trazendo a pura verdade. Vou recompensá-lo e torná-lo imperador deste país.







Flop - A história de um peixinho japonês na China
Autor: Laurent Cardon

A segunda história é sobre um menino que resolve ter um peixinho de estimação. Ele e Flop fazem tudo juntos, até um fato acontecer que dará um novo rumo a esta amizade especial. Uma história sobre o amor a um animal e a liberdade.
Este livro a narrativa é construída com através das ilustrações.