terça-feira, 6 de agosto de 2013

Festa no céu


O primeiro livro que meu filho ganhou (sendo que ele ainda estava no meu ventre) foi um de pano, de 3 colegas que trabalhavam com assessoria às bibliotecas escolares do Estado.
O incrível é que naquele momento eu nunca imaginaria que um dia trabalharia como professora em uma biblioteca. 
Este livro continua guardado como recordação e foi muito utilizado por ele quando bebê.

O Marcos cresceu e seus livros infantis foram tomando outros rumos e se espalhando por outras bibliotecas e por outros lares com crianças.

Mas alguns livros deste período ele não se desfaz por nada deste mundo. 
E outros, eu os tomei emprestado, por gostar tanto das histórias e aproveitá-las contando para outras crianças.

Um dos livros que meu filho ganhou em 2004, e que agora considero meu, é "Festa no céu",  lembro que o li muitas vezes antes de ele adormecer. 

O livro conta a história de um jabuti, que de certa forma voou, para poder participar de uma festa no céu. 


Festa no céu 

Recontado por Ana Maria Machado
Ilustração de Marilda Castanha

Há muitos e muitos anos, no tempo em que os bichos falavam, teve um dia em que de repente começou a correr uma notícia pela floresta:
- Vai ter festa enorme! Uma festa ótima!

Foi a maior animação. Tudo o que era bicho queria ir. Mas quando eles se encontraram, perto do rio, na hora de beber água, viram que a festa não era para todo mundo.



Quando o macaco, o veado, a cotia, a capivara, o jabuti e uma porção de outros bichos estavam reunidos conversando sobre a festa, aconteceu que o bem-te-vi, que voa bem alto, foi explicando:
- Vocês não vão poder ir.
- E por quê?
- É que a festa vai ser no céu, e bicho que não sabe voar não pode ir... Como é que vai chegar lá?



Todos ficaram com pena.
- Sujeira de São Pedro... – comentou o caxinguelê;
- A gente vive aqui sem nada para se distrair e quando eles fazem uma festa não é pra todo mundo...
- Também não faço nenhuma questão de ir....- disse a anta. –Deve ser muito frio, com muito vento.
- Pois eu faço – disse o macaco. – E vou pro alto da árvore mais alta da floresta ver se consigo pular até uma nuvem. Deve ser uma festa ótima!

O jabuti também achava que devia ser uma festa ótima. E ficou pensando em que jeito podia dar para ir.
Nos dias que faltavam para a festa, só se falava nisso na floresta.
- Dizem que vai ter um monte de comida gostosa. Bolo, brigadeiro, sanduíche...
- E vai estar cheio de coisas deliciosas para beber. Laranjada, guaraná, chocolate gelado, suco de fruta...
- Ouvi dizer que os anjinhos já estão enfeitando tudo. Vai ficar uma beleza...
- Vai ter mágico, teatrinho, dança.. E muita música, que quase todos os convidados são músicos e vão tocar e cantar.



Era mesmo. Cada passarinho tratava de ir treinando e ensaiando a cantoria. E quem não cantava ia levar algum instrumento.
Até urubu, que tinha uma voz horrorosa, se animou:
- Vou levar minha viola.
E implicava com os bichos de pele e de pelo, que não podiam voar:
- Que pena que vocês são tão inferiores, não podem ir... 
Quem sabe, um dia eles fazem uma festa no inferno? Aí é só cavar um buraco e você vão... Rá-rá-rá...
Além das gargalhadas e da implicância, os bichos ainda tinham que aturar a viola desafinada e a voz horrorosa do urubu:
- Vou pegar minha viola e contente eu vou cantar...
Pra vocês eu nem dou bola até a festa se acabar.


Mas daí a uns dias, o jabuti estava na beira do rio e viu uma garça sua amiga.
- Comadre garça, posso lhe pedir um favor?
- Pois não, compadre jabuti.
- Será que a senhora podia me levar à festa no céu.
- Levar à festa? Mas como?
- Não sei. Nas costas, ou no bico..  É que eu queria tanto ir...

A garça olhou bem para ele e ficou com pena. Afinal, ela morava em qualquer lugar que quisesse. Costumava voar no alto do céu, com uma vista linda. Quando cansava, escolhia a paisagem mais bonita pra pousar, sempre perto de uma lagoa ou de um rio cheio de peixes e árvores. E o coitado do jabuti só ficava no chão, se arrastando junto da terra, carregando a casa nas costas...

- Está bem – concordou. – Mas com uma condição.
- Que condição? – perguntou o jabuti, todo contente.
- Eu só levo, mas não trago. Assim, se eu quiser comer e beber bastante, não tenho que ficar me preocupando com o peso da volta.
E se quiser sair com os amigos para outro lado depois da festa, não preciso me desviar para levar ninguém em casa.
- Está bem – disse o jabuti.
E ficou combinado.
No dia da festa, a garça cumpriu a promessa.
E lá se foi o jabuti para a festa no céu, bem instalado nas costas macias da garça, segurando bem firme no pescoço dela. Vendo toda a paisagem bonita, lá de cima.





Quando chegaram no céu, ele nem acreditava que pudesse haver uma festa tão boa, num lugar tão bonito.
O chão era todo macio, um tapete de nuvens.
As paredes eram por-do-sol, o teto era de madrugada, tudo ensolarado de luz brilhante.
E o salão estava na maior animação, cheio de pássaros e insetos se divertindo muito, conversando, ouvindo música.
A outra sala era o lugar da comilança. (..)

Muito educado, o jabuti não bancou o guloso. Mas provou um pouquinho de cada coisa, até ficar com a barriga tão cheia que não cabia mais nada. (...)Mais tarde, começaram as danças, e o jabuti não parou. (..)
Mas no meio da festa o urubu começou a implicar com o jabuti:
- Como é que você veio parar aqui?
E saiu gritando:
- Tem penetra na festa!




Os outros não ligaram a mínima. Mas o jabuti ficou com vergonha e saiu do salão.
Também, a verdade é que o jabuti estava ficando cansado. Com vontade de ir embora. E não tinha a menor ideia de como é que ia fazer para voltar para casa.
Aí olhou num cantinho e viu os instrumentos dos músicos. E teve uma ideia. Entrou na viola do urubu, se ajeitou bem encolhido num cantinho, e pronto!
Podia dormir sossegado. Quando o urubu fosse embora, levava a viola com ele dentro. E era só ele esperar chegar bem firme no chão, sair dali e ir para sua toca.


Quando a festa acabou, os músicos foram os últimos a ir embora. O urubu pegou a viola, prendeu nas costas e lá veio voando.
Mas estranhou o peso. Alguma coisa estava muito esquisita.
- Será que eu comi tanto assim?
Ou dancei tanto que fiquei cansado? Quando eu vim estava muito mais fácil voar.. Agora está tão difícil... (..)
De repente o jabuti começou a espirrar e o urubu descobriu tudo:
- Ah, então é isso, hein? É você que está pesando dentro da minha viola, é?
Sacudiu bem a viola, com o buraco para baixo, e o jabuti caiu.


Enquanto caía, bem depressa, via que a terra ia se aproximando cada vez mais. 
E gritava:
-Pedra, sai de baixo, senão eu te esborracho!
E a pedra, nada.
- Pedra, sai de baixo senão eu te esborracho!
A pedra nem saiu do lugar.
Como a pedra não saiu, quem se esborrachou foi o jabuti.
E ia ter se acabado para sempre, mas deu sorte...


É que Deus viu tudo, e ficou com pena.
Afinal, o jabuti só estava querendo se divertir na festa do céu.
Então Deus mandou os anjos consertarem o casco do jabuti, juntando todos os pedacinhos, como se fosse um quebra-cabeça.
É por isso que até hoje o jabuti tem o casco todo remendado.
E como teve esse acidente chato nunca mais Deus quis fazer uma festa no céu.
A sorte é que os homens aprenderam a fazer festa na terra.


sábado, 3 de agosto de 2013

Iemanjá a Rainha do Mar - Histórias dos deuses africanos que vieram para o Brasil


Como as histórias de Xangô chegaram até nós:

Há muitas coisas em comum entre o Brasil e a África além de serem banhados pelo Atlântico e se situarem no hemisfério sul.
O Brasil foi primeiro habitado pelos índios e depois colonizado pelos europeus. Na formação do povo brasileiro participaram também os negros africanos, que foram trazidos para o trabalho escravo. 
Bem mais tarde chegaram povos da Ásia, de outros países da América, enfim, de tudo quanto é parte do mundo. Os povos que formaram o Brasil trouxeram seus costumes e suas tradições, trouxeram suas crenças, seus santos, seus deuses.




Os personagens do livro " Xangô, o trovão" de Reginaldo Prandi, são deuses do povo africano chamado Iorubá. 
No tempo da escravidão no Brasil, muitos Iorubás foram caçados em sua terra e aprisionados e trazidos ao Brasil, em navios negreiros para trabalhar como escravos.
Os negros africanos trouxeram suas crenças, seus deuses, os orixás e aqui refizeram a sua religião de matriz africana. No candoblé, no batuque, na umbanda e nas outras religiões afro-brasileiras os orixás passaram a ser cultuados por negros, brancos, mestiços.... 



Escolhemos uma das histórias do livro para apresentar no blog e  tem como personagem central:  Iemanjá a "Rainha do mar".






O que fez o mar para se defender do descaso dos humanos

Iemanjá era filha de Olocum, a Senhora do Mar.
Um dia Iemanjá foi viver no continente e sua mãe lhe deu uma cabaça mágica, que a ajudaria numa situação de perigo. Iemanjá se casou com o rei Oquê, a Montanha, e com ele viveu em paz por muito tempo.
Mas um dia os dois se desentenderam e Iemanjá fugiu de casa correndo. Oquê foi atrás, em perseguição. Na fuga desesperada, temendo ser alcançada, Iemanjá tropeçou e caiu na estrada e, na queda, a cabaça se partiu. A água da cabaça encharcou o chão e ali Iemanjá se transformou num Rio. 


 

O Rio pôs-se a correr em direção ao Mar. Era Iemanjá fugindo para a casa da mãe. Então, para impedir que a esposa escapasse, Oquê se transformou na Montanha e se atravessou no caminho do Rio. 
Iemanjá gritou por seu filho Xangô, o Trovão, e ele, em meio a trovoadas, lançou um raio e o raio abriu uma fenda na Montanha. 

O Rio passou pela fenda, seguiu seu curso e chegou em segurança ao Mar.
Iemanjá voltou para a casa de Olocum.
Quando Iemanjá herdou da mãe o reino do mar, tudo ali era uma preciosa maravilha. Naquele tempo, a superfície do mar era calma e cristalina e o fundo das águas limpo e cheio da vida.
Quando os homens habitaram a terra, quiseram também dominar os mares.
Os homens começaram a tratar o mar como tratam a terra: com desprezo, descuido e desamor.

Tudo o que para eles era lixo, jogavam no mar. O reino de Iemanjá ficou imundo e feio, os peixes escassearam, as algas perderam o esplendor, as conchinhas que cobriam as areias da praia como minúsculas estrelas brilhantes logo rarearam. Baleias, golfinhos, polvos, cavalos-marinhos, focas, caramujos, lulas, siris, lagostas, ostras, mariscos, mexilhões e todas as aves maravilhosas que vivem do mar, enfim, todas as criaturas que habitam o reino de Iemanjá tiveram sua casa prejudicada pelo descaso dos humanos.


Iemanjá, o Mar, foi se queixar o Olorum, o Senhor supremo. Olorum ficou com pena de Iemanjá e lhe deu novos poderes. Com eles, Iemanjá criou as ondas e as marés, que jogam de volta à praia, às vezes com violência, o lixo e os dejetos que os homens lançam ao mar. Com a fúria de ondas, vagas, vagalhões, ressacas, Iemanjá defende seu reino marinho.


 

Iemanjá se defende a si mesma da irresponsabilidade humana.
Seu poder é grande e ela muitas vezes castiga os humanos com dureza. 
Ela afoga os pescadores imprudentes e lança seus corpos inertes à praia.
Defende seus peixes, suas conchas, suas algas e tudo o mais que existe sob as águas e na sua superfície.
Por isso os pescadores que vão ao mar em busca de sustento sabem que sua sorte depende da boa vontade de Iemanjá.
Eles oferecem muitos presentes a Iemanjá, o Mar, conforme Ifá, o Adivinho, não cansa de aconselhar. 
Fazem festas para Iemanjá nas praias.
Levam para ela flores, perfumes, espelhos e pentes e tudo o mais que é bonito e faz feliz o coração de uma mulher.
Eles a adoram e a chamam de mãe. Adoram Iemanjá, cujo nome quer dizer Mãe dos Peixes na língua dos africanos iorubás. Também a chamaram de Odoiá, que quer dizer Mãe do Rio na língua dos iorubás. Eles a festejam e a chamam de Rainha do Mar.


Iemanjá

Publicação abaixo postada  no blog em agosto de 2009.


Foto: Escultura de Érico Gobbi "Iemanjá" na praia do Cassino/RS





"Imagine um barco de papel

Indo embora para não mais voltar
Indo como que Iemanjá"
(Maria Gadú)




Descobri a pouco tempo atrás a cantora Maria Gadú, que muito cedo começou a compor, mais abaixo a letra de uma de suas músicas.

Lembrei da letra da música "Shimbalaiê" por causa do falecimento do escultor Érico Gobbi ( 14/08/2009) e da sua obra mais conhecida "Iemanjá" e também por causa do naufrágio e da morte dos pescadores (alguns gaúchos) no litoral do Espírito Santo. A letra fala do pescador entre o mar e o anzol, da natureza, da deusa do viver, de Iemanjá......


Informação do naufrágio dos pescadores em (agosto 2009)
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2009/08/corpos-dos-quatro-pescadores-encontrados-apos-naufragio-no-es-sao-reconhecidos-2632848.html



Shimbalaiê

Maria Gadú


Shimbalaiê, 
quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, 
toda vez que ele vai repousar

Natureza, deusa do viver
A beleza pura do nascer
Uma flor brilhando a luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol

Pensamento tão livre quanto o céu
Imagine um barco de papel
Indo embora para não mais voltar
Indo como que iemanjá

Shimbalaiê, 
quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê,
 toda vez que ele vai repousar

Quanto tempo leva pra aprender
Que uma flor tem que vida ao nascer
Essa flor brilhando à luz do sol
Pescando entre o mar e o anzol

Shimbalaiê,
 quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê,
 toda vez que ele vai repousar

Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira

Me encantar com um livro
Que fale sobre a vaidade
Quando mentir for preciso
Poder falar a verdade

Shimbalaiê, 
quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, 
toda vez que ele vai repousar


Link para a música:

http://www.youtube.com/watch?v=ej4JIfoWW18





Escultura é cultuada pelos adeptos das religiões de matriz africana


Érico Gobbi, faleceu em agosto de 2009, aos 84 anos. Para quem já passou pela praia do Cassino/RS, viu com certeza a sua obra mais conhecida, com mais de 2 m de altura, o monumento dedicado a Iemanjá, combina perfeitamente com a praia.
Quando criança conta-se que Gobbi confeccionava pequenas pombas em miolos de pão.
Suas esculturas estão espalhadas pelo Rio Grande do Sul.

Fonte: sites da internet

domingo, 28 de julho de 2013

Racismo e música

Esta semana mais uma vez percebemos como o racismo continua presente no mundo todo, citamos como exemplo, o que ocorreu com a Ministra da Integração da Itália Cécile Kyenge. 

Cécile é a primeira ministra negra na Itália, e nesta última sexta-feira, um espectador atirou bananas enquanto ela fazia um discurso em um comício político em Cervia.

"Cécile Kyenge, que vive desde 1983 na Itália, onde também se formou como oftalmologista, afirmara, em junho, que não tem medo.
'Há insultos e ameaças contra mim porque agora estou numa posição visível, mas, na verdade, são ameaças contra qualquer um que resista ao racismo, que resista à violência.' "*

A música por ser uma linguagem universal contribui imensamente para a aproximação dos diferentes povos e etnias. O reconhecimento, o respeito, a valorização e a contribuição dos povos de etnia negra e indígena ainda não foram devidamente reconhecidos pela humanidade.

Uma das tantas formas que utilizamos para trabalhar em educação contra o racismo e a discriminação é através da música.


Fonte e citação retiradas do site:


Como exemplo, abaixo duas músicas que já utilizei com alunos:

Canto Das Três Raças



                                         Paulo César Pinheiro e  Mauro Duarte



Ninguém ouviu

Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
......

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas 
Como um soluçar de dor



Negra Livre

          Nando Reis 


Está com todo som, na boca nas palavras.
Está em outro tom, nas sílabas caladas.
A minha linda voz.

Está como eu estou nas roupas, nas sandálias.
Está aonde eu vou na rua, nas calçadas
A minha linda voz

Sou negra livre
Negra livre
Cheguei aqui a pé.

Para destoar
Para dissolver
Para despertar
Pra dizer

Está na cara, a cor, na sombra das imagens.
Em tudo o que supor, nos contos, nas miragens
A minha linda voz

Está em toda dor, na gota de uma lágrima.
Dá em qualquer sabor na beira da estrada
A minha linda voz.

Sou negra livre
Negra livre
Cheguei aqui a pé.

Para desnudar
Para derreter
Para descolar
Pra viver

Para deslizar
Para devolver
Para desbocar...
Pra doer

Para desarmar
Para adormecer
Para desfilar...
Pra Vencer

Sou negra livre
Negra livre
Cheguei aqui a pé.

Sou negra livre
Negra livre
Cheguei aqui a pé.

Assista o vídeo no You Tube link na tela do vídeo:



quinta-feira, 25 de julho de 2013

Para que a escrita seja legível


Texto abaixo, reescrito a partir de outro texto postado neste blog anos atrás.


(Pintura- Kandinsky)

Para que a escrita seja legível

Cecília Meireles


Para que a escrita seja legível,
é preciso dispor os instrumentos,
exercitar a mão,
conhecer todos os caracteres.
Mas para começar a dizer
alguma coisa que valha a pena,
é preciso conhecer todos os sentidos
de todos os caracteres,
e ter experimentado em si próprio
todos esses sentidos,
e ter observado no mundo
e no transmundo
todos os resultados dessas experiências.

Maio, 1963.


Minha escrita não tem sido muito legível, e até em alguns momentos nem eu mesma ando conseguindo decifrar, ler ou entender todos os caracteres, palavras e frases que tenho utilizado para expressar-me.

Como ignoro muitas coisas da vida, mas por sorte sou curiosa e amo estar aprendendo, não sobra muito tempo para ficar exercitando e praticando o ato da caligrafia e do traço perfeito.      

Meu ser definiu como prioridade, viver da melhor forma possível, simples e alegremente, cada dia. 
Neste aprendizado constante, algumas vezes surge a necessidade de registrar algumas histórias, relatos e impressões do que tenho vivenciado e que passam pelos meus 7 sentidos*.

Ver o bater das asas de uma borboleta ou gastar o meu tempo ouvindo o canto dos passarinhos da janela do meu quarto, é muito mais importante do que estar atrás da perfeição na vida. 
E a vida  passa muito rápido, e eu não posso me dar ao luxo de ter uma "vida escrita em um bloco de rascunho", porque provavelmente não terei tempo de passá-la a limpo.

(7 sentidos*: visão, paladar, olfato, tato, audição, ciência/conhecimento e intuição/espiritual).
____________

Semana que vem retornaremos a nossa rotina de trabalho (fim de recesso escolar de inverno),e apesar de parecer que a minha vida ficou suspensa por um período, posso afirmar que descobri aspectos interessante no mundo que eu desconhecia.

Apesar dos últimos dias, ter a sensação constante de que tudo esta prestes a desaparecer no ar e de uma dúvida constante me acompanhar: "será que tudo que senti e vivi, nestes dias não passaram de uma bela e doce ilusão, muito bem inventada, por uma contadora de histórias. 


Algumas vezes, não temos certeza da resposta. 

______________________

O bom é que tenho notado que meu filho está muito melhor de saúde e juro, não é a fala de mais uma mãe coruja, ele realmente esta se tornando um cara muito legal. 

Guardei na memória destes últimos dias alguns fatos:

Meu filho falando com outra pessoa: " Ela (falando de mim) só está tentando me ajudar a ser feliz".

Ontem, depois que um taxista fez uma manobra dando ré no carro,  bem no meio de uma rua de mão dupla, quase na esquina e, eu neste exato momento entrava na rua. 
Quase parei em cima do táxi, o motorista só me olhou e fez uma cara do tipo "eu sou mau", falou algo que eu não escutei (mas imagino). Meu filho, apenas comentou: "Ele faz errado e te olha daquele jeito. E como as palavras podem ser tão machistas, e ainda usam nomes de animais, como pode ser assim? 

Estava ouvindo música na segunda-feira, ele me olhou e perguntou se eu queria o cd do Pink Floyd e do coldplay da coleção dele, depois ele me trouxe de presente. Fiquei bem contente, só depois descobri a verdadeira intenção, ele queria negociar a compra de um livro com o meu cartão. Como dizem, certas coisas fazem parte da relação entre pais e filhos.

Nossa dificuldade na relação continua sendo na hora do almoço. Esta semana eu estava cozinhando, lendo, twittando e vendo tv. 
Daqui a pouco o Marcos grita: "Mãe, faz o favor, vê se não deixa a comida queimar de novo". É óbvio, que eu fiquei chateada, eu não tinha queimado nada nos últimos dias. E não queimei também neste dia, só coloquei um pouco a mais de sal na carne assada, mas deu para comer. Como disse, nem tudo pode ser perfeito.

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Voz que se cala

Florbela Espanca

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

(...)

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é infinito e pequenino!



terça-feira, 23 de julho de 2013

Nietzsche combina muito com inverno



Trecho do livro: "Assim falava Zaratustra" de Friedrich Wilhelm Nietzsche, tradução de Eduardo Nunes Fonseca. 
Um livro que tenho há mais de 25 anos, devo ter comprado já usado, as folhas estão bastante amareladas, mas mesmo assim, leio de vez em quando algumas de seus capítulos. Abaixo um dos meus preferidos:





Ler e escrever

“De todo o escrito só me apraz aquilo que uma pessoa escreveu com o seu sangue. Escreva com sangue e aprenderá que o sangue é espírito.

Não é fácil compreender sangue alheio: detesto todos os ociosos que leem.
(...)
O que escala montes sorri de todas as tragédias da cena e da vida.
Valentes, despreocupados, zombadores, violentos, eis como nos quer a sabedoria.
É mulher e só lutadores podem amar.




Tartaruga da Amazônia
 
                                                    
Vós me dizeis; ‘A vida é uma carga pesada’. Mas, para que serve vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão à tarde?
A vida é um fardo pesado; mas não vos mostreis tão abatidos. Todos somos jumentos carregados.
Que semelhança temos com o vaso de rosa que treme apenas porque o oprime uma gota de orvalho?

É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados a ela, mas ao amor.
Há sempre o seu quê de loucura de amor; mas também há sempre o seu quê de razão na estultícia.

E eu, que me sinto bem com a vida, creio que para conhecer felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens.



Borboletas monarcas
 

Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca lágrimas e canções de Zaratustra.

Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.

E quando vi  o meu demônio, pareceu-me sério, grave,  profundo e solene: era o espírito do pesadelo. Por ele caem todas as coisas.

Não é com rancor, mas com sorriso que se mata. Adiante! Liquidemos o espírito do pesadelo!

Eu aprendi a andar; consequentemente corro. Eu aprendi a voar; logicamente não quero que me empurrem para mudar de local.

Agora sou leve, agora voo; agora vejo por baixo de mim mesmo, agora salta em mim um Deus.”

 Assim falava Zaratustra.


Você já brincou de fazer bolhas de sabão, não? Então, você precisa ter esta experiência na vida, é muito divertido.

Para fazer bolhinhas de sabão:





Receita 1
Utilize shampoo ou sabão liquido, nesse liquido aplique também a glicerina, que também será responsável por manter a boa qualidade da bolha de sabão.
Misture com água e deixe armazenado por algum período, por isso utilize sempre uma grande quantidade, para que você tenha muito liquido para se divertir.

Receita 2

Utilize shampoo de bebê, em uma quantidade proporcional, utilize o mel para a substituição da glicerina.

Misture com água com uma maior quantidade, em média o dobro da quantidade de mel e shampoo. Essa mistura não deve ser armazenada por um longo tempo, por isso faça apenas a quantidade que você irá utilizar.


Caso não tenha as tradicionais argolas para fazer as bolhas pode-se utilizar uns canudinhos, são baratos e fáceis de encontra.
 Para não beber água com sabão, faça um pequeno corte em formato de "V" na parte de cima do canudinho. 

Ou ainda, você pode fazer a argola, com arame. Corte 30 cm do arame, dobre uma das suas extremidades com alicate. 
Torça a outra extremidade formando um círculo e trance o arame para fixá-lo. No arco enrole barbante. 

Coloque o líquido em um copo plástico mais resistente ou em um potinho de alumínio.